Dremen abre o livro
Destaque, Dremen — Por admin em 29 Outubro 2009 ás 16:00O mais famoso investidor da comunidade ZIB, actualmente com 360 seguidores, explica a sua estratégia de investimento. Em entrevista Dremen conta também porque ainda não mudou as suas recomendações e dá cinco dicas para quem quer começar a investir no mercado.
Porquê o nome Dremen? Tem algum significado?
Na realidade, o nome era para ser Dreman em alusão ao famoso “contrarian investor” David Dreman. Mas quando estava a fazer o registo enganei-me a escrever o nome e quando reparei já estava e deixei ficar.
A sua estratégia é, então, inspirada na estratégia de investimento de David Dreman?
Sim. É um investidor que já admiro há muito tempo. É alguém que sabe pensar pela sua própria cabeça e que não se deixa ir em comportamentos de rebanho. É incrível mas são duas qualidades raras de encontrar em investidores profissionais. O principal livro de Dreman “Contrarian Investments Strategies: The Next Generation” nunca está muito longe da minha mesa de cabeceira. Outra coisa que não perco é a sua coluna de opinião na revista norte-americana Forbes.
Em termos práticos optei por acções que estavam fundamentalmente baratas ou, no caso da Zon, optei por uma posição de venda.
Era aí que queria chegar. David Dreman não abre posições curtas e é reticente em relação ao sector financeiro por ser difícil de analisar. No seu caso recomenda a venda de acções da ZON e a compra do Barclays. Porquê esta derivação? Eram oportunidades claras?
Não tenho a certeza que David Dreman não tenha posições curtas. Como se pode ler neste artigo de Agosto de 2007, Dreman claramente defende a tomada de posições curtas, através da compra de puts, em três bolsas norte-americana.
Quanto à banca, penso que essa reticência estar no facto das contas do bancos serem muitas vezes especiais e os rácios terem de ser trabalhados de outra de forma para terem algum significado. De qualquer forma, em Abril deste ano o Barclays era claramente uma oprtunidade de compra. A prova disso é que, desde lá, já subiu praticamente 100 por cento.
A sua estratégia é essencialmente análise fundamental?
A ideia é encontrar acções que estejam abaixo do seu valor de mercado. Para isso é preciso olhar para os número (os “fundamentals”) da empresa e fazer algumas contas. Uso essencialmente rácios muito simples para detectar o valor da empresa como o PER (price earning ratio), o PBV (price book value), o PCF (price to cash-flow), ROE (return on equity), entre outros. Mas isso é apenas o começo. Esses indicadores são um execelente ponto de partida para perceber como estão os preços das acções mas depois é preciso analisar empresa a empresa em mais detalhe. Um PER muito baixo pode indicar que a empresa está de facto barata mas também pode querer dizer que está perto de falir. Depois de recolher os principais rácios – que estão praticamente todos disponíveis nos filtros do ZIB – é preciso olhar acção a acção em detalhe. Analisar o negócio, a concorrência, se estão num sector de vanguarda (geralmente são os piores negócios) ou se estão num sector pouco sexy. Ver com olhos críticos o que os analistas dizem da empresa, etc…
Está atento às recomendações dos analistas?
Sim, mas geralmente a ideia é fazer o contrário do que recomendam. É assustadora a falta de coerência da grande maioria dos analistas profissionais. São brilhantes a ir atrás do “rebanho”. Estou convencido que fazer exactamente o contrário das recomendações dos analistas é uma estratégia de investimento que pode ser proveitosa.
Há quem diga que o facto de ter feito 9 recomendações em Abril e depois não ter mais mexido na sua carteira é a principal razão para estar em primeiro lugar…
Em Abril, quando entrei no ZIB, a minha ideia foi alterar a minha carteira apenas uma vez por ano. Não vejo nenhum benefício em estar sempre a mudar de opinião. É óbvio que se acontecer uma mudança enorme no mercado ou em algum dos títulos posso rever a carteira antes. Se reparar, comecei com sete acções no dia 7 de Abril. O meu objectivo era rever a carteira apenas no início de Janeiro de 2010. Passados uns dias, em resposta a uma provocação de uns amigos que diziam que apenas tinha recomendações de compra resolvi fazer uma recomendação de venda, o que aconteceu com a Zon. De seguida, deu-se o acidente com o avião da Air France no Brasil e achei que a reacção do mercado não tinha lógica e resolvi entrar. No primeiro caso, foi uma resposta a uma brincadeira e no segundo caso foi uma oportunidade rara (felizmente para quem anda de avião) de entrar numa boa empresa a preço de saldo.
Quando pensa então rever a sua carteira?
Se não houver mais provocações nem oportunidade únicas irei rever a carteira na primeira semana de Janeiro.
Revisão total da Carteira?
A ideia é olhar para as cerca de 400 acções do ZIB e ver onde estão as oportunidades. Se algumas das oportunidades forem as mesmas, não há razão para mudar essas acções. Uma coisa que farei diferente é tentar ter o mesmo número de recomendações de compra e de venda. Normalmente, olho mais para o lado da compra mas não há razão para assim ser. Aproveito para testar este método também do lado da venda. É inverter a lógica, o que me parece um desafio interessante.
Está praticamente em primeiro lugar no ZIB desde que a plataforma arrancou. Porque ainda não entrou em nenhum concurso?
Os bens materiais não me movem. Sou um investidor despojado… Agora a sério, não tenho qualquer tipo de capacidade para prever como as acções se vão comportar no curto prazo e os dois concursos foram em períodos de cerca de um mês. Deixo esses concursos para os day traders e analistas técnicos que sabem aproveitar as tendências de curto prazo e lucrar com isso.
Qual o membro da plataforma com o qual se sente mais ameaçado em relação à sua liderança?
Acho que existem óptimos investidores no ZIB. Particularmente não me sinto ameaçado por ninguém no ZIB porque não o considero uma competição. Acho que é um excelente espaço para estudar estratégias de investimento e especialmente para perceber se, nas acções, o todo é mais inteligente do que a soma das partes. Pessoalmente acho que sim, mas estou ansioso para o ZIB divulgue resultados.
O que pensa da lógica do ZIB?
A ideia da inteligência colectiva aplicada ao mercado de capitais é fascinante. Acho que com o devido tempo e com mais membros a participarem na plataforma vai ser muito interessante ver como evoluem as previsões da comunidade. Se as acções quatro e cinco estrelas ficarem acima do índice e as acções uma e duas estrelas ficarem abaixo, o ZIB acabou de descobrir o Holy Grail dos investimentos.
Com quase 400 membros a seguirem as suas recomendações quer deixar cinco dicas para quem quer investir no mercado?
1 – Pense pela própria cabeça. Não se deixe levar pela mentalidade de rebanho que comanda os mercado. Aprenda a tirar partido do facto do ser humano tender a sobrevalorizar os bons e maus acontecimentos. Quando é bom geralmente não é assim tão bom e quando é mau também não costuma ser tão mau.
2 – Aprenda a ler as contas das empresas. Estudar contabilidade ou análise financeira pode ser uma opção. Trave conhecimento com um contabilista ou um ROC e pergunte-lhe os truques que as empresas usam para disfarçar as contas. A contabilidade criativa está sempre a evoluir mas as bases são as mesmas.
3 – Não se deixe convencer pelas empresas da moda. O Google é uma num milhão. Existem milhares de empresas a ganhar muito dinheiro em sectores totalmente aborrecidos.
4 – Não invista no que não percebe.
5 – Estude história. A bolha das dotcom, o subprime, o caso da Enron vão parecer-lhe pouco originais à luz da história dos mercados financeiros. Leia como se não houvesse amanhã.
Para finalizar, o que pensa da actual situação do mercado?
Penso que está a seguir o comportamento normal que sempre teve e que sempre terá. Depois da depressão tipo o “mundo vai acabar” está tudo outra vez eufórico tipo “ninguém nos agarra”. Em Abril de 2009 havia mais oportunidades de compra do que de venda. No início do próximo ano parece-me que a situação se vai inverter.
Há um livro delicioso que devia ser leitura obrigatória para quem se interessa por investimentos. Chama-se “Extraordinary Popular Delusions and The Madness of Crowds” é delicioso e está lá tudo explicado…
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1 Comentário
Entrevista muito interessante com boas sugestões de leitura. Uma coisa boa deste tipos de sites é que podemos aprender com eles. Porque não fazerem uma lista de estratégias dos investidores mais famosos do mundo (tipo este Dremen) e seguirem o seu desempenho no ZIB. Acho que seria muito interessante. Keep up the good work!