Lucrar com a guerra
Artigos, Destaque — Por admin em 25 Fevereiro 2010 ás 14:49Segundo um estudo realizado pela Bloomberg, 51 por cento dos investidores e os analistas inquiridos acreditam que a probabilidade de ocorrer um atentado terrorista em 2010 é elevada e 13 por cento acredita mesmo que é muito elevada. Não é fácil investir e gerir carteiras de activos, quando a expectativa de um atentado terrorista aumenta, mas “infelizmente, já faz parte da vida”, disse à Bloomberg Damien Liegeois, um gestor de activos sénior da Mirabaud Gestion Privee no Mónaco. Basta recordar o que aconteceu nas bolsas no dia 11 de Setembro de 2001 após o atentado às torres gémeas.
Apesar do receio divulgado no estudo, Liegeois não vai alterar a sua estratégia de investimento. “É uma variável externa que eu não posso prever”, afirmou o gestor. É tão impossível prever um atentado terrorista como prever um terramoto. No entanto, devido à instabilidade geopolítica vinda do Irão com as notícias sobre o início do programa de enriquecimento de urânio do país, alguns países estão a reforçar o investimento no sector da defesa, o que coloca o sector aeroespacial e de armamento na mira do aumento dos lucros. Eis algumas empresas que poderão ser atingidas.
Preço 15,04 Euros
P/L 15,20x
P/L Est. 38,39x
P/VC 1,08x
Taxa de dividendo 1,36%
Rendibilidade 1 ano 28,63%
Devido à venda de armas da Boeing a Taiwan, a fabricante dos aviões Airbus parte como favorita para o concurso público lançado pela República Popular da China para fornecimento de 3770 aviões. Isto porque a China já avisou que o negócio pode ter repercussões para a Boeing. Pelo contrário, para a EADS, o negócio entre a empresa norte-americana e Taiwan é uma oportunidade para ganhar quota de mercado à fabricante de aviões norte-americana.
Na aviação militar, a EADS está a finalizar as negociações para financiar o projecto do A400M, um avião de transporte militar, com o qual a empresa está envolvida num concurso público lançado pelos Estados Unidos da América.
Na bolsa, o preço das acções da EADS face aos lucros por acção nos últimos 12 meses confere-lhe um rácio P/L de 15,20x, um valor abaixo da média do sector a nível mundial (35,10x). Todavia, segundo as estimativas dos analistas que seguem as acções da companhia, no final de 2010, o rácio deverá atingir os 38,39x, o que significa uma queda abrupta dos resultados da empresa no ano corrente. Talvez seja por isso que, dos 36 analistas que acompanham a empresa, somente 14 recomendem “comprar”.
Preço 41,05 Euros
P/L 11,52x
P/L Est. 11,28x
P/VC 2,19x
Taxa de dividendo 2,20%
Rendibilidade 1 ano 22,66%
A Raytheon é uma das empresas mais inovadoras no fabrico de armamento e sistemas electrónicos de defesa. Os mísseis Tomahawk são talvez o seu produto mais conhecido. No entanto, a empresa actua em diversas áreas ligadas à defesa, encontrando-se actualmente a desenvolver o sistema de detecção de mísseis que os Estados Unidos da América pretendem utilizar para evitar ataques com proveniência no Médio Oriente. Mas não só. A Raytheon faz parte de um grupo de empresas que estão a pesquisar as capacidades da carapaça de um molusco, com o objectivo de desenvolver um novo material usado na protecção de tropas de infantaria.
No último trimestre, a empresa apresentou um conjunto de resultados que surpreendeu os analistas pela positiva ao registar um aumento de 12 por cento nas vendas. Na bolsa, a companhia regista um rácio P/L de 11,52x, um valor inferior à média do sector. Mas, o melhor é que o rácio P/L estimado para o final do ano é ainda menor, o que antecipa um novo crescimento dos lucros. É talvez por isso que os analistas gostam tanto da empresa. Dos 22 que a acompanham, 12 recomendam “comprar” e os restantes dizem para “manter” os títulos da companhia em carteira.

Preço 46,42 Euros
P/L 34,25x
P/L Est. 15,64x
P/VC 21,63x
Taxa de dividendo 2,65%
Rendibilidade 1 ano 77,64%
A empresa fabricante dos conhecidos aviões comerciais com o mesmo nome foi notícia por ter vendido equipamento bélico a Taiwan, o que poderá trazer-lhe complicações num concurso público que a República Popular da China lançou, relativo ao fornecimento de 3770 aviões. Devido ao valor do contrato com Taiwan, 51,06 milhões de euros, há quem diga que este poderá ter sido um dos piores negócios da Boeing, uma vez que pode estar em causa parte do contrato de fornecimento de aviões à China avaliado em 552,04 mil milhões de euros.
Ainda assim, apesar das notícias negativas, a empresa prevê que as suas vendas em 2012 registem uma evolução positiva, devido ao Boeing 747-8, o maior avião alguma vez desenvolvido pela companhia que ainda se encontra na fase de testes, mas que poderá ter influência no caderno de encomendas da empresa já em 2010.

Preço 56,87 Euros
P/L 10,10x
P/L Est. 10,35x
P/VC 7,07x
Taxa de dividendo 3,26%
Rendibilidade 1 ano 10,57%
A vida não está fácil para a fabricante dos míticos caças F-16. Apesar de terem surgido algumas boas notícias, como os cortes de custos anunciados para 2010, a intenção do Governo italiano adquirir 100 aviões de combate F-35 Lightning II e os testes dos novos helicópteros estarem a correr bem, as acções da companhia apresentam uma valorização baixa, quando comparada com as outras empresas neste artigo. Nos últimos 12 meses, os títulos da companhia subiram quase 10 por cento, tendo uma subida superior sido impedida por notícias que indicam alguma insatisfação do Pentágono no desempenho do material adquirido à empresa e que apontam para o congelamento dos pagamentos por parte das autoridades norte-americanas, mas não só. Tal como a Boeing, a Lockheed Martin está em negociações com o Taiwan para a venda de armamento, um negócio que poderá originar represálias comerciais por parte da China.
Na bolsa, os múltiplos da empresa não ajudam. Apesar dos rácios P/L actual e estimado para o final do ano dizerem que a companhia está e vai continuar a lucrar bem, o rácio P/VC de 7,07x é assustador. No entanto, os analistas parecem desvalorizar o indicador pois entre os 23 que acompanham as acções da companhia, apenas dois recomendam “vender”.
Preço 53,10 Euros
P/L 11,68x
P/L Est. 11,09x
P/VC 2,25x
Taxa de dividendo 2,09%
Rendibilidade 1 ano 41,98%
Esta empresa americana com presença transversal no sector da defesa tem dos melhores rácios P/L e P/VC do mercado. Recentemente, a companhia assegurou um contrato para efectuar a manutenção a submarinos no valor de 33,12 milhões de euros e um outro de apoio e suporte a tanques de guerra (ambos celebrados com os EUA), que poderão catapultar o volume de negócios da empresa nos anos vindouros.
Na bolsa, as acções da General Dynamics cotam com rácios P/L actual e estimado para o final do ano em torno de 11x, valores abaixo da média do sector, mas é no rácio P/VC que se vê a grande vantagem da empresa em relação às suas congéneres ao marcar 2,25x contra os 3,36x médios do sector. Dos 24 analistas que seguem a companhia, 15 recomendam a compra das acções e somente 1 diz para “vender”.
Preço 2,73 Euros
P/L 20,46x
P/L Est. 12,95x
P/VC 3,22x
Taxa de dividendo 2,13%
Rendibilidade1 ano 24,79%
Esta empresa britânica tem mantidoa sua estratégia de aquisições de empresas que consigam complementar o seu negócio, como é exemplo a recente aquisição da Safeline Systems, mas não só. Recentemente, a empresa assinou um contrato com a Marinha Norte-Americana no valor de 15,87 milhões de dólares e está a preparar-se para realizar investimentos na Malásia que deverão acrescentar valor à companhia. Dos 22 analistas que acompanham a empresa, nenhum recomenda a venda das acções e segundo as estimativas para os lucros no final de 2010, o rácio P/L da empresa, actualmente nos 20,46x deverá diminuir para 12,95x, o que presume um aumento vigoroso dos lucros este ano.
Preço 4,22 Euros
P/L Não aplicável (empresa reportou prejuízos em 2009)
P/L Est. 8,82x
P/VC 2,82x
Taxa de dividendo 4,30%
Rendibilidade 1 ano -0,54%
A maior fabricante de armas europeia aceitou um acordo a 5 de Fevereiro, no qual admite a culpa em casos de corrupção e suborno, acordo este que veio por fim às investigações por parte de autoridades europeias e americanas e a um período de má imagem para a companhia. Do lado bom, a empresa ganhou recentemente um contrato de manutenção de tanques no valor de 44,16 milhões de euros e reportou o sucesso nos testes efectuados ao novo sistema de espionagem para instalação em aviões.
Apesar das controvérsias que a empresa tem enfrentado, os múltiplos das acções da BAE estão entre os melhores do sector, incluindo a taxa de dividendo, pelo que uma eventual aposta na empresa poderá dar lucros.
Preço 50,13 Euros
P/L 14,79x
P/L Est. 14,74x
P/VC 3,20x
Taxa de dividendo 2,48%
Rendibilidade 1 ano 54,83%
Quem gosta de investimentos com rendimento deve estar atento à United Technologies. A empresa liderada por Louis Chenevert paga dividendos desde 1936 e apesar de no ano passado ter registado uma quebra de 6 por cento dos lucros, os accionistas receberam mais 10,4 por cento de dividendos face ao exercício anterior.
A United Technologies actua em negócios que vão desde os elevadores, através da Otis, até aos motores de avião produzidos pela sua subsidiária Pratt & Whitney, que fabricou também os motores da nave espacial Endeavor, e aos helicópteros fabricados pela Sikorsky.
Na bolsa, além da taxa de dividendo, a empresa apresenta múltiplos inferiores à média do sector mundial e é uma das empresas mais recomendadas pelos analistas. Dos 20 que acompanham os títulos, 14 recomendam a compra e os restantes dizem para “manter” as acções em carteira.
Fonte Bloomberg. 23 Fevereiro 2010. P/L – Preço/Lucros por acção a 12 meses. P/VC – Preço/Valor Contabilístico por acção a 12 meses. Valores em euros.
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4 Comentários
Isto é que é ter espírito de investidor: Aproveitar todas as oportunidades, mesmo as de desgraça, para enriquecer.
Bom artigo. Oferece um ponto de vista que ainda não tinha pensado!
As oportunidades de investir são imensas e esta é mais uma delas.
Belo artigo!
Espero que continuam com esta qualidade, parabéns!
Texto muito interessante. Será que não podem fazer uma abordagem semelhante com sa empresas farmacêuticas.
Já tinha recomendado a BAE Systems há algum tempo e continuo a achar que é uma boa aposta.